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As minhas escolhas

  • Foto do escritor: Catarina Chambel
    Catarina Chambel
  • 7 de fev. de 2017
  • 3 min de leitura

Construir pratos saudáveis é uma escolha. Fatores genéticos, ambientais, sociais e económicos podem ter algum peso nesta questão mas, ao fim e ao cabo, trata-se de muita força de vontade.

O pilar da minha alimentação é, sem dúvida, a sopa. Desde que me recordo, nunca houve refeição caseira que não se iniciasse com uma sopa de hortaliça. Era, e ainda é, impensável para os meus pais deixar a mesa sem colher nem prato de sopa. Felizmente, concordamos na imprescindibilidade desse prato, não só por tradição, mas sobretudo porque prepara o estômago para o seguinte e traz inúmeros benefícios ao organismo pela sua constituição nutritiva. Contudo, há que salientar alguns aspetos a considerar na sua confeção. Além da óbvia primazia a ser atribuída aos legumes, as sopas podem (e devem) ser enriquecidas com leguminosas, um grupo alimentar erradamente desvalorizado pelos portugueses, eliminando a batata por completo e, de preferência, a cenoura, por apresentarem elevados valores de hidratos de carbono.

Valorizo bastante o peixe e as carnes magras, principalmente devido ao baixo conteúdo em gorduras saturadas cuja acumulação, já sabemos, conduz a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, obesidade e outros problemas de saúde indesejáveis. Apesar das recomendações ao consumo destes produtos, existe um senão: o modo de cozinhar. Infelizmente, a população em geral tende a cair no abismo dos refogados, com a falsa desculpa de "dar mais sabor à comida". Meus senhores, apresento-vos as minhas melhores amigas, as ervas aromáticas e as especiarias. Experimentem temperar a comida com pimenta, mostarda e alecrim e depois digam-me que precisam de fritar o bife. Outras combinações apetecíveis poderão incluir salsa, hortelã, tomilho, cebolinho, orégãos, manjericão, gengibre, açafrão, cardamomo...

Relativamente aos lacticínios, sou de opinião contra o leite e tenho duas razões para tal. Primeiro, de todos os mamíferos, somos a única espécie que mantém a ingestão de leite após a amamentação; pior, bebemos o leite de outra espécie que em nada se assemelha ao humano. Segundo, consequência da industrialização e do capitalismo, a produção láctea baseia-se na injeção de hormonas de crescimento e lactação em vacas, cujo leite irá conter tais substâncias e, finalmente, que o nosso organismo irá absorver. No entanto, não ignoro os benefícios dos seus derivados, especialmente dos iogurtes. Estes contêm elevado valor nutricional, nomeadamente alta qualidade proteica, quantidade e biodisponibilidade de cálcio e, ainda, vitamina A e algumas do complexo B. O ideal é consumir um por dia, de preferência natural, de modo a obter todas as suas mais-valias.

Então e o açúcar? É, realmente, difícil depararmo-nos com uma mesa de sobremesas cativantes e não lhe tocar. Mas tudo é possível se respeitarmos as nossas convicções e pensarmos que o mundo não acaba amanhã se hoje escolhermos o açúcar "bom" da fruta. É de evitar alimentos com conteúdo elevado em açúcares simples, pois estes são facilmente absorvidos pela corrente sanguínea e, em casos extremos, podem mesmo levar à diabetes. Para colmatar a rapidez da sua absorção, devem ser acompanhados de frutos secos, pão ou outra fonte de amido.

Outra característica do meu dia-a-dia é a frequência das minhas refeições, uma vez que mantenho intervalos sensivelmente de 3 horas entre cada. Isto auxilia o metabolismo a estabilizar, fornecendo as quantidades necessárias de energia às células e, consequentemente, não sinto estômago vazio nem cheio. É, então, uma autêntica falta de inteligência passar horas e horas sem comer, na medida em que o organismo entra em carência e, assim que tiver oportunidade, irá sugar tudo aquilo que temos disponível, sejam substâncias benéficas como tóxicas, apenas para se manter em funcionamento.

Esta é a base da minha dieta alimentar. A partir daí, procuro introduzir diversidade e sabor nos pratos que cozinho, sempre com paixão à minha arte.


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