Hábitos alimentares pobres. Pobres hábitos alimentares.
- Catarina Chambel
- 7 de fev. de 2017
- 3 min de leitura
Os nossos hábitos alimentares são, inquestionavelmente, lamentáveis. Em pleno século XXI, na metade desenvolvida do mundo, com as tecnologias e as possibilidades infinitas que temos, seria de esperar uma maior consciência em relação a esta problemática, um maior controlo de qualidade e uma maior abertura de mente a novos e benéficos estilos de vida.
Vivenciamos uma crescente deterioração qualitativa dos alimentos que consumimos, acrescentando-se a imperdoável falta de restrições ao uso de aditivos artificiais. Dirijamo-nos às grandes superfícies comerciais, às secções de talho e charcutaria, por exemplo. Atentemos nos frangos, de peitos recheados de hormonas de crescimento, as quais permitem a sua venda decorridos apenas quarenta dias de criação! Apesar disto, esperase que o consumo de carne duplique até 2050. Para além disso, para responder às necessidades de 7 biliões de pessoas, no final desse ano, a produção mundial deve aumentar em 70%. No entanto, globalmente, um terço da comida é desperdiçado, o que corresponde a 1,3 biliões de toneladas de alimento por ano. O número é assustador, devido às quantidades exorbitantes de água, solo e petróleo utilizadas no processo, agravando-se com o facto de 1 bilião de humanos viverem famintos, no mais deplorável estado de pobreza.
Também as nossas opções alimentares são pobres, traduzindo-se no aparecimento precoce de patologias como a osteoporose, talvez por falta de informação disponível. Como paradigma, o leite de vaca, tão aclamada fonte de cálcio (cerca de 300 mg por copo), vem a ser objeto de vários estudos atualmente. Num deles, concluiu-se que este bem essencial, ao provocar uma descida do pH do organismo, desencadeia mecanismos de proteção, que consistem na utilização do cálcio presente nos ossos, levando, ironicamente, a uma insuficiência deste. Existem, por isso mesmo, bebidas alternativas, nomeadamente de amêndoa, arroz, aveia, soja, coco e avelã, disponíveis nos comércios e fáceis de confecionar. Outras fontes deste mineral são, entre outras, o iogurte, os legumes de folha escura, o queijo, as amêndoas e o feijão.
Assim, de forma a contrariar atuais deficientes costumes, é de enorme importância educar os jovens para este assunto e incentivar melhores escolhas, para que se desenvolvam, física e mentalmente, na sua plenitude, transmitindo melhores hábitos às gerações seguintes. Hoje em dia, um dos grandes problemas é o excesso de açúcares e corantes, especialmente sintéticos, adicionados a cereais de pequeno-almoço, bolachas e iogurtes, tornando-se estes mais apelativos aos olhos dos mais novos. É de salientar o caráter propositadamente viciante destas substâncias e a sua semelhança com outras utilizadas nas drogas, relacionando-se diretamente com o aumento da frequência de défices de atenção e concentração na população jovem, bem como o diagnóstico de hiperatividade em faixas etárias cada vez mais baixas. Além disso, a preferência por fast-food e refrigerantes, ricos em lípidos saturados, glúcidos e sal, em detrimento de fruta, vegetais e leguminosas, reconhecidas fontes de proteína e vitaminas, culmina num aumento das taxas de obesidade infantil e no enfraquecimento do sistema imunológico.
Contudo, o Império Capitalista impede a preferência por uma alimentação saudável, empurrando a sociedade para o mais prático e barato, através de anúncios que desencadeiam mecanismos psicológicos inconscientes e incentivam o consumo desmedido. Tornámo-nos, portanto, apoiantes da repugnante filosofia “Viver para comer” e conformámo-nos aos conhecimentos curtos dos nossos antepassados, crentes na sinonímia entre carne e força. Caso não se inverta esta tendência, serão os nossos descendentes a pagar pelos nossos erros, com o aparecimento de bactérias resistentes aos antibióticos utilizados nas carnes e o desenvolvimento de alergias relacionadas com OGM’s (Organismos Geneticamente Modificados).
É neste contexto que surgem e se discutem com curiosidade novos estilos de vida, como o Paleolítico, que foi adotado pelo Homem desde o início dos tempos até há doze mil anos atrás, prevenindo doenças modernas, tal como a diabetes; o Veganismo, que exclui qualquer tipo de alimentos e derivados de origem animal, substituindo-os por fontes vegetais de proteína (lentilhas, feijão preto, tofu), ferro (feijão de soja, grão, espinafre), ómega-3 (linhaça, nozes, beldroega) e vitamina B12 (cereais integrais), contribuindo para a melhoria do sistema cardiovascular e do planeta. Também já são comuns classificações como “integral” e “light”, apesar de, muitas vezes, implicarem compensações a nível de açúcar, sal e químicos (atenção aos rótulos!), melhorando o sabor e permitindo uma longa conservação.
Em suma, este tema não tem limites mas a nossa saúde sim, portanto, é imperativo procurar uma dieta que a proteja, sem junk food, óleos e açúcares refinados, cereais brancos e aditivos químicos, nunca esquecendo que o presente tem impacto no futuro.
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